Festival de Música de Ourinhos 2026
Estes são os meus registros do XXIV Festival de Música de Ourinhos, de 19 a 23 de outubro de 2026, no Teatro Municipal Miguel Cury.
O festival costuma reunir apresentações de artistas, cursos e workshops gratuitos para alunos, com alojamento, além das canjas oficiais, em que os professores tocam com os alunos e o público vive esses encontros. Em 2026, a programação ficou restrita às apresentações no teatro, uma por dia.
Fotografei todos os dias de forma independente. É um projeto meu, que busca registrar e garantir a memória desse movimento cultural na cidade, nos seus auges ou nos seus momentos mais baixos. Por isso a visão do fotógrafo importa: através destas fotos, conto um pouco do que vi. Há muitas fotos de palco, mas também da frente do teatro e do público. No teatro, não me posiciono como quem fotografa o espetáculo. Fotografo apenas de locais de acesso ao público, porque acho importante trazer o que o público vê, até a distância de onde ele vê.
Dia 1 – Big Band do Conservatório de Tatuí
Criada em 1975, a Big Band do Conservatório de Tatuí reúne professores e alunos em um repertório que vai das big bands tradicionais à música instrumental contemporânea.
Nas fotos deste dia fotografei mais a frente do teatro. O primeiro dia do festival sempre gera muita expectativa, e chegar e ver o teatro cheio, com o público esperando, é sempre um bom sinal de como vai ser o andamento do festival.
Ver uma big band tocando é sempre interessante, pela formação e pelo ineditismo. Em Ourinhos é muito difícil ter acesso a uma apresentação assim. Mesmo tendo uma escola de música na cidade, essas apresentações são raras e, quando acontecem, nem sempre são divulgadas pela secretaria de cultura. O repertório é muito voltado ao jazz, com músicos muito virtuosos. Como a Big Band é formada por professores e alunos, também é muito interessante ver a troca de gerações: músicos muito novos e músicos mais experientes tocando juntos e desenvolvendo esse trabalho.
Dia 2 – Riccardo Dutra, “Raízes”
O compositor, cantor e multi-instrumentista Riccardo Dutra apresentou canções autorais que unem a música regional brasileira a elementos da música medieval e renascentista.
Acompanhei um show muito intimista, que traz muito do contemporâneo para a viola caipira e para a tradição do cantar, do contador e cantador de histórias.
Dia 3 – Duo Rafael Beck e Felipe Montanaro, “Fantasia Brasil”
O duo de flauta e piano apresenta arranjos próprios de clássicos da música brasileira. A dupla tem dois álbuns pela Biscoito Fino e foi indicada ao Latin GRAMMY em 2025.
Foi uma grande surpresa. Eu sabia que eram nomes relevantes no cenário, mas não tinha ido conhecer o trabalho deles antes. É incrível ver um duo de piano e flauta, com músicos tão jovens, virtuosos e tecnicamente interessantes, ter um brilho, uma diferença que você sente ao escutar. É muito interessante poder ter contato com artistas desse nível dentro de um festival de música de uma cidade do interior. Essa é uma riqueza do Festival de Música que não pode ser perdida. Achei o show incrível, tanto pelos músicos quanto pela escolha maravilhosa do repertório. É um projeto muito bonito, que vale muito a pena acompanhar.
Dia 4 – Gabriela Machado Quinteto, “Equilibrando no Acupe”
A flautista Gabriela Machado apresentou composições autorais de música instrumental brasileira, acompanhada por Álvaro (acordeom), Camila Silva (cavaquinho), Emiliano Castro (violão de sete cordas) e Douglas (bateria).
Foi um show de músicas autorais da Gabriela, de um disco inteiro de choro. O choro, como dá para ver em outros posts aqui do site, é uma área de pesquisa em que tenho atuado na fotografia. Acompanho um grupo de choro da cidade e artistas ligados ao choro, buscando também a preservação desse movimento, desse estilo musical tão brasileiro, tão originário nosso.
Dia 5 – Orquestra Sinfônica do Conservatório de Tatuí
Criada em 1985, a Orquestra Sinfônica do Conservatório de Tatuí tem cerca de 60 integrantes. Nesta noite, foi regida por um maestro substituto.
Também foi incrível. Se uma big band já é rara por aqui, imagine uma orquestra completa. O repertório foi de música erudita, no sentido mais estrito da palavra. É sempre incrível ver uma orquestra ao vivo, o som, a propagação, tantos músicos tocando juntos. É uma experiência enriquecedora a todo momento.
Neste dia não consegui fazer nenhuma foto do público, porque as luzes da plateia não se acenderam em nenhum momento com o público dentro do teatro, nem no final do espetáculo, que era o momento que eu esperava. Mas foi uma noite de casa cheia. Para quem acompanha, vive e se importa com a cultura, é sempre muito rico ver que o público esteve presente para viver essa experiência.
Canjas não oficiais
Para finalizar, há dois dias de fotos de canjas que não são canjas oficiais do Festival de Música. A Secretaria de Cultura não fez parceria com nenhum local e não divulgou canjas em suas redes oficiais. Tudo isso é completamente desvinculado do festival.
Como hoje acompanho o grupo de choro da cidade, registrei os dois encontros que o Clube do Choro de Ourinhos organizou por conta própria, convidando alguns dos músicos que vieram se apresentar a participar voluntariamente de uma roda de choro. Canja é a palavra popular para esse tipo de encontro, em que os músicos simplesmente se encontram e têm uma troca espontânea para tocar juntos.
No primeiro encontro, Rafael Beck participou dando uma canja com o grupo. No segundo, músicos do quinteto de Gabriela Machado estiveram presentes: Gabriela, Emiliano Castro, no violão de sete cordas, e Camila Silva, no cavaquinho, tocaram com o Clube do Choro de Ourinhos.
Nestas fotos dá para perceber que estou muito mais próximo, porque aqui é o meu lugar de domínio, principalmente por ser uma fotografia independente. No teatro, sempre me limito, por não ser o fotógrafo do espetáculo, e não me posiciono como se fosse. Como fotógrafo de um movimento de rua, popular, posso chegar onde quiser, porque eu sou público, eu sou popular. É onde mais busco desenvolver a minha fotografia, para trazer as emoções e mostrar como são fortes esses encontros.
Uso das fotos
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